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Cérebro x Aplicativos

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De todos os aplicativos que conhecemos atualmente, existe um que estamos cada vez utilizando menos e dessa forma acabamos deixando este “aplicativo” obsoleto, desatualizado e pobre de conteúdo. Sim, você conhece este aplicativo que eu me refiro, se não conhecer, então seu caso é mais preocupante ainda, pois deve estar tanto tempo sem uso que não consegue mais sequer se lembrar dele mesmo, sim, seu CÉREBRO!

Vivemos atualmente em uma sociedade em que tudo se resume em aplicativos, tudo se resume em Facebook, WhatsApp, Instagram e muitos outros, sendo de redes sociais ou jogos e “programinhas” de computadores, tablets ou smartphones. O ser humano passa a maior parte das horas de cada dia mais conectado com qualquer que seja a tecnologia, do que conectado com o mais importante de todos os aplicativos: chamado cérebro. Infelizmente é verdade meus caros leitores e leitoras.

Cada vez mais um aplicativo no seu celular te dita o que vestir para ser atraente ou quanto precisa pesar para ser “aceita(o)” pelos padrões de beleza do mundo. Sendo assim, cada vez menos passamos a ouvir a nossa própria voz, e até mesmo a voz de Deus que fala em nosso “aplicativo” chamado cérebro. Passamos a viver o que as mídias querem que venhamos a viver, nos ditam como devemos viver, se comportar, vestir, comer, se parecer, enfim.

Nosso cérebro ainda é, mesmo que a gente não use tanto, o melhor “aplicativo” para nossa vida. Ouvir sua voz própria, sua vontade própria, interpretar os sinais que seu corpo te manda, para saber se precisa se cuidar mais ou menos, saúde mental, psicológica, emocional, sim, não será um aplicativo tecnológico que te ajudará em nada disso, mas sim seu “aplicativo” natural.

Em se tratando de ser um cristão, me preocupa mais ainda. Se está curioso(a), vou explicar direitinho. O cristianismo ou a pregação o evangelho se dá através da pregação da palavra, falar a palavra, entregar a palavra seja escrita, falada, com música, vídeos, seja como for. O fato é que cada vez mais, deixamos de pregar e evangelizar de fato uma pessoa da forma mais profunda, direta e eficiente, o contato direto com a pessoa.

Vou ser muito sincero com vocês, se uma pessoa que se diz cristã chegar para mim e dizer que preciso me converter pois Deus é bom, faz maravilhas e que Ele me ama, para mim, não tem efeito algum, pois isso para mim é tão automático de se dizer e ouvir, que se torna fútil. “Mensagenzinhas” de correntes no WhatsApp, esqueçam disso gente por favor! Nós, escolhidos de Deus, devemos fazer nosso trabalho, os aplicativos servem para os preguiçosos cada vez mais acharem a desculpa de que não tem tempo para nada, a não ser passar mais de 10h conectados e postando milhares de “hashtags”.

Não estou dizendo que nós devemos parar de usar os aplicativos, tampouco que são do diabo, nada disso, estou apenas alertando nossas mentes para que possamos voltar a eficiência de evangelizar, onde é preciso saber um pouco mais da pessoa, ter um contato maior, ter algum tipo de vínculo, que não seja apenas virtual. Podemos usar sim todos os aplicativos que tivermos à disposição, mas devemos saber usar com sabedoria (que vem de Deus), conhecimento (que vem do nosso cérebro) e estratégia (saber como agir), senão passamos a ser meros “pregadores de nada”.

A maior e melhor forma de evangelizar, pregar a palavra, ainda é o famoso “boca a boca”, o contato com cada pessoa, com cada olhar, cada coração carente e vazio, cada lágrima ou sorriso que podemos doar ou receber, pois só assim, tocamos as pessoas. As palavras escritas em sites, mensagens como esta, servem sim, para as pessoas lerem, refletirem, pensarem usando seus cérebros e para sermos mais usados por Deus e cheios do Espírito Santo, ainda precisamos ser usados como vasos nas mãos d’Ele, e isso requer nosso corpo presente, nosso coração e nossa mente (cérebro) ativos.

Precisamos rever nossa missão aqui na Terra, pois se ficarmos apenas por trás de mídias e redes sociais postando “hashtags” o mundo não vai mudar, o mundo só muda, quando há transformação de vidas, mentes e corações, e isso ainda só é alcançado pelo contato direto, pessoal e intransferível, se você tem a missão de evangelizar “tal” pessoa, você tem que fazer.

O que mais me assusta no meio cristão, é que quanto mais usamos frases prontas de redes sociais, imagens “virais” que se espalham pelo mundo em segundos, menos aprendemos profundamente sobre Deus e menos sabemos falar sobre Ele. Me dizer que tenho que me converter, qualquer um pode me dizer, mas saber um pouco mais de minha vida e conhecer mais de Deus para me dizer o que Ele realmente pode mudar e onde me transformar, isso sim é diferente, eficiente, sábio, inteligente e estratégico. Mas isso dá trabalho, pois nos exige conhecer mais a Deus, conhecer mais o Reino, e deixar de lado “modinhas” de redes e mídias sociais.

Precisamos voltar ao tempo em que nossa palavra realmente tem peso, medida e valor. Onde éramos exemplo para muitas outras vidas. Onde o que falávamos era confiável. Precisamos voltar ao tempo em que evangelizar era ir ajudar pessoas carentes nas ruas, dando sopa, roupas, atenção, carinho. Parece que às vezes evangelizar é somente pregar a palavra e “enfiar garganta abaixo” as pregações prontas que já temos, esquecendo que cada dia mais, as pessoas estão vazias, solitárias, carentes e que isso faz nossa missão ser mais necessária ainda.

Visitar uma ala de crianças com câncer de um hospital, pode ser doloroso, mas não precisamos de dinheiro, tampouco uma mega estrutura, apenas vontade, organização e tempo (15 minutos a menos no Facebook ou WhatsApp app já nos dá esse tempo). Isso pode mudar vidas. Precisamos entender, que evangelizar não é apenas dizer: “Te converte, Jesus te ama” e também muito mais o que uma mensagem pronta de rede social.

Cada vez mais, precisamos entender que a raça humana está se destruindo, se acabando, carente de atenção, vazios de si mesmos. Precisamos entender que cada dia mais Deus precisa de nós ativamente (ativa + mente = cérebro). Se “hashtags” salvassem vidas ou resolvessem os problemas do mundo, não estaríamos enfrentando tantas coisas ruins que vivemos atualmente.

Não sou contra o uso de “hashtags”, eu mesmo uso também, mas quero dizer que além das “hashtags” digitadas nas nossas redes sociais e nossos aplicativos, façamos na vida real e na prática nossas “action hashtags”, levando um abraço, um sorriso, uma lágrima, um ombro, um olhar a quem precisa, somente assim tocamos a vida das pessoas, caso contrário, continuaremos sendo meros “falsos cristãos”, enganando a nós mesmos e iludindo o mundo, depois não adianta ficarmos irados quando alguém dizer que falamos muito e fazemos pouco, pois o comentário não deixará de ser uma verdade.

Sejamos mais cérebro e menos aplicativos. Use aplicativos, mas com sabedoria, com controle, quando deve ser usado, nas horas certas, para os fins certos, isso é estratégia. Mas sem deixar de ofertar o contato físico com as pessoas.

Grande abraço à todos!

Música de inspiração: “I could sing of your love forever” – Salvador Worship – escrito em 26/11/15 às 03:32 p.m.

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