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Neil Barreto: E o Beijo ? Novela Amor a Vida

amor-a-vida-novela-globoTento entender como uma novela pode ter tanta influência sobre a vida de pessoas, sobre a vida de toda uma nação. Tento, mas confesso, não consigo entender, aliás, talvez essa seja a razão: minha falta de entendimento.

Nessa minha ultima semana de férias, foi só o que eu ouvi: ‘Amor à Vida’. Quem dera o título dessa novela se traduzisse em verdade na vida de seus telespectadores, mas, infelizmente, não. Na prática é só o tema de uma novela.
No transcurso dessa novela dezenas de assuntos distintos foram abordados, entre os quais: obesidade, virgindade, autismo, alcoolismo, doenças diversas, como aids, câncer e lúpus. Incesto, Transtorno obsessivo-compulsivo, adultérios muitos, amor entre pessoas de idade e classes sociais diferentes, assédio moral, barriga de aluguel, alienação parental, rejeição, sequestro, roubo etc. e, entre todos esses assuntos o mais falado, comentado, criticado, publicado, defendido… beijo entre dois homens. Ainda de férias, logo que a novela acabou, me percebo bombardeado de e-mails, torpedos, whatsapps e afins me perguntando o que eu acho do assunto.
Consideremos, primeiro, que, à luz da Palavra, não existe distinção entre pecado e pecado, pecadinho e pecadão, o que mais agride ou menos agride a Deus. Na escritura, o que existe é o pecado e o salário, deste que é a morte. Se há alguma diferença entre eles, tal diferença se dá na consequência, nunca na essência. Dito isto, entendamos que a questão do beijo homo não é mais grave do que uma pessoa cuja obesidade seja exclusivamente uma questão de gula e glutonaria. Não é mais grave do que o mau-caratismo impresso em toda a novela, claramente manifestado na tentativa de ascender e enriquecer à custa dos outros.

A homossexualidade do Félix frente ao seu caráter inicial é quase uma virtude. O beijo não é mais grave do que a libertinagem de alguns casais dessa novela, sobretudo porque macula a santidade do casamento vendendo-o como uma prisão da subjetividade e, em função disso, proclamando que a infidelidade é quase uma necessidade e/ou virtude.

O beijo não é mais grave do que uma rejeição paterna, muito mais quando esta é produto de um preconceito raso e imoral pertencente a um homem que não tem, sequer, moral para senti-lo posto que sua vida é a referência de tudo o que é ruim num homem/cidadão/amigo/marido/pai. O beijo não é pior do que a possessividade de alguém que, mesmo sendo mãe, usa o amor que diz ter por uma filha (autista) para cercear-lhe possibilidades. Esse é o amor que castra, aprisiona, amputa, impede, diminui, limita…. Nem o ódio é pior do que esse tipo de amor.

Poderia dizer ainda que o beijo não é mais grave do que o assassinato, a ocultação de cadáver, a ganância, o adultério, mentira, a omissão, o abuso de poder, o mau conselho, o preconceito, o comodismo, a covardia , a maledicência, a difamação, o bullying, a ausência de misericórdia, a tirania, o roubo, a ajuda por interesse, a sonegação do perdão, a falsa religiosidade etc.
Penso que se analisarmos por esse prisma, o beijo se torna o menor de todos os problemas e se assim o é, por que será que ele recebe, de quase todos, tamanha atenção? Porque o beijo foi o primeiro na dramaturgia brasileira e como tal derruba um grande, e até então inabalável, muro.

Chame esse muro de paradigma se quiser. O beijo quebrou um paradigma até então visto como um sacro/santo/inabalável limitador de imoralidades. A sensação, consciente ou inconsciente, é a de que a imoralidade venceu e, assim sendo, nossa moralidade, até então segura dentro do paradigma, se revolve dentro de nós. Assim aconteceu quando foi dado o primeiro beijo hétero, quando alguém usou o primeiro biquíni, quando apareceu a pornochanchada.

Assim foi quando do primeiro assassinato, o primeiro adultério, a primeira pública ação de ganância e, pasmem, até quando entrou a bateria na igreja, creia, parecia o fim do mundo. É sempre assim, indignação, até que o “mal” se torne parte de nossa realidade, se torne comum, normal. A normalidade é a consequência da prática contínua. Com o mal não é diferente. Independente do que seja ou digam.

A Palavra é clara em dizer que a homossexualidade é pecado. Não importa se concordamos ou não, se gostamos ou não. O que vale, pra quem é da Palavra, é a Palavra. As muitas discussões sobre o tema são, sempre, em torno do que achamos/gostamos/concordamos. Aqui evoco Santo Agostinho que disse:
– Se você acredita no que lhe agrada no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas em você.

O que deveria nortear nossa visão, portanto, é a Palavra, não o que eu goste ou ache. Assim, gostando ou não gostando, primeiro: se a indignação é inevitável que, pelo menos, ela não seja maior do que o amor que devemos ao próximo, inclusive aos que beijam pessoas do mesmo sexo, afinal, pior que o beijo dado é o amor sonegado. Segundo: (quem tem entendimento entenda) se o beijo é um mal e, portanto, um mal inevitável, que façamos opção pelo mal menor, afinal, o que é pior, um homem que ama outro homem ou um homem que odeia outro homem? Terceiro: Respeite. Discorde, mas respeite. O respeito é a base da paz, inclusive a social e, por último, ocupe-se com coisas mais importantes na vida: ao invés de juízo, misericórdia.

Ao invés de escárnio, perdão. Ao invés de palavra como espada que mata, silêncio. Ao invés de ficar perguntando onde vamos parar, não pare, continue a ser você para glória de Deus.
Ósculo santo a todos.

Pr. Neil Barreto

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