Você está em: Heresias na Igreja // Sou Eu Lider de Meu Irmão ?

Sou Eu Lider de Meu Irmão ?

Vários anos atrás, este autor foi membro de uma Igreja Batista Independente cuja liderança mudou radicalmente para o pensamento de “novo paradigma” de Rick Warren, Bill Hybels, Dan Southerland e outros autores proeminentes do Movimento de Crescimento de Igrejas sensível ao buscador. Após muitas lutas para manter algum nível de pureza dentro dessa assembléia, ocorreu uma grande batalha quando o pastor convidou a empresa de consultoria Injoy Ministries, de John Maxwell, para apresentar seu programa para o crescimento numérico e financeiro da igreja. A proposta da Injoy “garantia” que por módicos 40 mil dólares de honorários de consultoria, a igreja recuperaria no mínimo 300 mil dólares ao longo dos dois anos seguintes com o crescimento das ofertas e do número de membros.

Isso seria alcançado fazendo toda a congregação existente se comprometer sistematicamente com um novo tipo de programa de “mordomia sacrificial e promessas de fé”. Esse programa seria apresentado à igreja em segmentos pré-determinados:

  • Primeiro, um belo vídeo em estilo de marketing faria toda a congregação se animar com as possibilidades de crescimento e total estabilidade financeira.

  • Os detalhes do plano seriam então apresentados à equipe de oficiais da igreja e aos membros de alta posição social (renda elevada).

  • Em terceiro lugar, o plano seria levado à “liderança da igreja”.

  • Após esses grupos de indivíduos terem embarcado no programa, os membros comuns receberiam então uma apresentação completa e detalhada. No momento em que os membros em geral assistissem à apresentação do plano para a votação, o dado já teria sido lançado e a decisão de seguir com a Injoy já estaria selada.

O terceiro ponto é onde essa discussão se torna interessante. Por que, de acordo com Dan Southerland em seu livro A Transição, “a liderança da igreja” não deve apenas incluir a equipe remunerada, os diáconos, os professores da Escola Dominical, introdutores, músicos, etc. — mas também deve incluir aqueles indivíduos com um nível de influência que podem firmemente se opor aos planos para a transição para o modelo do novo paradigma. Portanto, os líderes da igreja não somente incluiriam qualquer pessoa que tivesse um cargo oficial ou um emprego distinto na igreja, mas também aqueles que eram rotulados como “criadores de problemas”, que poderiam solapar todo o esforço.

Que conceito! Você indica um potencial “criador de problemas” para uma nebulosa, inócua e limitada posição na liderança e efetivamente “compra” a fidelidade daquela pessoa apelando ao seu ego.

Rick Warren reiterou essa filosofia dizendo em sua série ’40 Dias de P.E.A.C.E.”, na Igreja da Comunidade de Saddleback, no outono de 2005, que “todo mundo é um líder”. Na verdade, o Dr. Warren, listou “a falta de uma liderança eficaz” como um dos maiores problemas da humanidade, para o qual seu Plano P.E.A.C.E. oferecerá uma solução. Um ingrediente vital na solução dele para essa suposta falta de liderança inclui a teoria de ‘todo indivíduo é um líder”:

  • Os pastores lideram suas congregações.
  • Os oficiais da igreja lideram os leigos da congregação.
  • Os profissionais na área de negócios lideram suas empresas.
  • Os supervisores lideram os funcionários em suas seções.
  • Cada pai é um líder de seus próprios filhos.
  • Cada indivíduo exerce influência sobre pelo menos outro indivíduo, de modo que de certa forma todo indivíduo é um “líder”.

É claro que existe certo grau de verdade nesse conceito e, como (de acordo com Rick Warren) existe visivelmente o problema de uma “falta de liderança eficaz”, isso significa que todo indivíduo precisa participar de um “treinamento em liderança?” Além disso, se alguém é considerado um “líder”, como poderia um líder se opor à visão para a igreja local dada ao pastor pelo próprio Deus? Além disso, de que será formado o “treinamento em liderança” — da ciência do comportamento, de técnicas de administração empresarial, ou até mesmo de princípios de religiões orientais? É esse tipo de treinamento a missão da igreja? A Bíblia ensina esse tipo de caminho para o discipulado e a edificação? Essa abordagem é bíblica, ou é na realidade simplesmente uma via para a manipulação psicológica? O exército de líderes que emergirá dos programas do plano P.E.A.C.E. dirigirá um reavivamento mundial para construir o reino de Deus, ou para Reconstruir a Torre de Babel?

A Obsessão com Liderança

Nos últimos anos, as principais personalidades no Jogo da Igreja do Novo Paradigma desenvolveram uma verdadeira obsessão por essa idéia de formar “líderes” e ensinar “liderança”. Esses mesmos indivíduos tornaram-se prolixos na produção de livros sobre liderança e voluntariado e essas duas coisas parecem andar de mãos dadas no desenvolvimento dos indivíduos para alcançarem o potencial máximo para ajudar “na construção do Reino de Deus”. Os nomes que parecem ser os mais proeminentes nesse movimento de liderança incluem os seguintes:

  • Rick Warren, o “pastor da América” e pastor da Igreja da Comunidade de Saddleback, no sul da Califórnia.

  • Ken Blanchard, o famoso autor de Lead Like Jesus (Lidere Como Jesus) e outros livros sobre liderança empresarial e eclesiástica. Blanchard foi contratado para dirigir os programas de liderança da Igreja de Saddleback.

  • John Maxwell, um ex-pastor, autor de muitos livros sobre liderança, fundador da Injoy Ministries e do Maxwell Leadership Institute, é agora considerado um dos mais importantes especialistas em liderança e motivação dos EUA.

  • Bill Hybels, pastor da Igreja da Comunidade de Willowcreek, em South Barrington (região de Chicago), estado de Illinois, escreveu livros sobre liderança e voluntariado.

  • Andy Stanley, pastor da Igreja da Comunidade de Northpoint, em Atlanta, na Georgia, e pastor de John Maxwell, é autor do livro The Next Generation Leader (O Líder da Próxima Geração).

  • Bob Buford, gigante das comunicações do Texas e autor do livro A Arte de Virar o Jogo no Segundo Tempo da Vida, é o diretor da ex-Fundação Peter Drucker, atual Rede de Liderança.

Embora certamente existam outros que mereceriam ser incluídos na lista, esses famosos indivíduos serão suficientes como uma amostra do grupo de “cristãos evangélicos” que têm uma verdadeira obsessão pela questão da liderança. Além disso, quando lemos os livros ou ouvimos os sermões e aulas desses indivíduos sobre liderança, sobre a falta de uma liderança eficaz, ou treinamento em liderança, há pouca ou nenhuma variação no conteúdo ou nos conceitos. Logicamente, precisamos então concluir que existe um denominador comum, ou vários denominadores comuns, que unem esse grupo de indivíduos para fazer suas mensagens e metodologias soarem como uma única voz que ecoa a partir dos paredões de um cânion.

Isto posto, se essas mesmas metodologias estivessem baseadas na Palavra de Deus, essa obsessão com liderança bem que poderia ser traduzida em uma posição doutrinária que toda igreja deveria adotar. Quanto a isso, todos esses indivíduos, sem exceção, afirmam que suas metodologias estão, de fato, baseadas na Palavra de Deus. Entretanto, essa afirmação é um exercício magistralmente coreografado de enganação e precisa ser exposto como tal antes que essa obsessão se espalhe ainda mais pelo cristianismo evangélico e fundamentalista. Antes de mergulharmos na fonte da obsessão com liderança, talvez uma descrição desses métodos precise ser explorada de modo a confirmar para o leitor deste manuscrito que sua natureza não tem base bíblica.

O Líder Servidor

Antes do mergulho nos detalhes da metodologia da liderança, uma explicação se faz necessária. Em sua maioria, os princípios de liderança discutidos aqui não são necessariamente malignos ou pecaminosos. (Será ilustrado que alguns aspectos têm sua origem na filosofia luciferiana, mas isso certamente não é sempre o caso.) Além disso, o pastor Rick Warren está certo quando diz que o mundo realmente sofre com a falta de liderança eficaz em muitas áreas — incluindo na política, empresarial e religiosa — mas isso não dá uma carta branca bíblica para a igreja adotar programas de treinamento de líderes que utilizam princípios extrabíblicos ou até mesmo contrários à Bíblia para atingir um resultado predeterminado.

Além disso, as empresas comerciais e as grandes companhias e empreendimentos podem ser bem-sucedidos ao adotarem muitos desses mesmos métodos para aprimorarem suas éticas empresariais e, por fim, alcançarem uma maior receita, mas esses mesmos programas precisam ser vistos de uma perspectiva estritamente secular e com extrema cautela para evitar o sincretismo do sagrado com o secular. Portanto, mesmo no caso desses princípios visivelmente benéficos, aquilo que a Bíblia delineia sucintamente na estrutura organizacional e nos processos funcionais da igreja do Novo Testamento precisa ser seguido fielmente. Como resultado, independente de quão apropriados esses princípios extrabíblicos, pseudobíblicos e até mesmo antibíblicos possam ser ou não no mundo empresarial, eles não têm lugar na organização da igreja do Novo Testamento.

Desgraçadamente, os indivíduos citados que defendem essa causa são bem-respeitados e muito aplaudidos nos círculos evangélicos ‘conservadores’. Portanto, quando eles afirmam que a Bíblia é o documento-fonte para suas filosofias em liderança, a maioria dos evangélicos conservadores não é astuta ou não tem discernimento suficiente na Palavra de Deus para reconhecer que as Escrituras estão sendo tiradas do contexto ou que está sendo feito um mau uso delas.

É essa má aplicação da Palavra de Deus que gera extrema preocupação nesta questão. Uma boa definição da má aplicação da Palavra de Deus pode simplesmente ser classificada como má aplicação das Escrituras em áreas que uma determinada passagem não se aplica, ou até a afirmação que a Bíblia apóia um princípio que ela absolutamente não apóia. Em outras palavras, Bill Hybels, Ken Blanchard, John Maxwell e outros afirmam que a Bíblia ensina princípios que ela simplesmente não ensina, ou eles afirmam que a Bíblia diz algo que ela não diz. Tal é o caso na maioria dos aspectos dos princípios da Liderança Servidora.

Liderança Servidora é uma técnica de administração orientada para resultados que está baseada principalmente na Administração por Objetivos, de Peter Drucker. Os pontos fundamentais da Liderança Servidora são os seguintes:

  • O líder de uma organização estabelece a visão do futuro. Peter Drucker disse que a visão de uma organização não deve ser maior do que uma frase que possa ser escrita na parte da frente de uma camiseta. Essa visão não deve estar baseada no enriquecimento do líder à custa dos seguidores, mas ela deve produzir recompensas para o líder bem como para os seguidores.

  • O líder então ‘lança’ a visão para seus seguidores (funcionários, congregação, etc.) e motiva-os a seguirem o líder e cumprir a visão.

  • O líder não governa ou oprime os seguidores, mas torna-se um treinador, um mentor, um facilitador e um servo para garantir que os seguidores façam da visão do líder a sua visão e reivindiquem a propriedade de sua parte da visão.

  • O líder continua a ensinar os seguidores para que eles saibam aquilo que o líder sabe. Por esse processo, o líder replica-se nos seguidores e eles tornam-se o que é chamado por Peter Drucker de trabalhadores do conhecimento. Esse princípio é bem-ilustrado na filosofia de marketing de pirâmide da empresa Amway.

  • Por meio de uma apresentação constante da visão, servindo os seguidores para facilitar para eles a obtenção da visão e estabelecendo o conceito de propriedade da visão nos corações e nas mentes dos seguidores, o líder servidor mantém a moral elevada, reduz a rotatividade e obtém alta produtividade na organização.

  • Como resultado de tudo isto, a visão é alcançada, uma nova visão é lançada e o processo se repete.

Esta é a metodologia da Liderança Servidora e esse sistema inquestionavelmente funciona. Entretanto, esse é um sistema bíblico, ou é derivado de alguma outra fonte?

Primeiro, é o conceito de ‘lançar a visão’ um princípio bíblico, ou um instrumento orientado para resultados para a manipulação? Um verso muito empregado por aqueles que ministram treinamento em liderança com base em ‘lançar a visão’ para suportar suas filosofias é Provérbios 29:18a:

“Não havendo visão, o povo perece.” [King James Version]

Existem vários outros aspectos intessantes do uso desse verso por parte dos construtores do reino preocupados com visão:

  • O verso está traduzido assim somente na KJV. Entretanto, a filosofia do Novo Paradigma com relação à KJV é a de total desdém. Eles vêem a KJV como arcaica, fora de moda e sem apelo para a mentalidade pós-moderna atual. Portanto, adotar exatamente a linguagem da KJV em vez de traduções modernas somente confirma a hipocrisia daqueles que se agarram a qualquer possível confirmação de suas próprias predisposições.

  • Na verdade, não há nada de errado com a tradução da KJV desse verso. Se o leitor interpretar o verso dentro do contexto, a consideração contextual da passagem deixa claro que essa passagem não está descrevendo uma visão de um objetivo elevado ou um resultado designado. Em vez disso, a “visão” descrita nesse verso é uma visão profética — ou a Palavra de Deus conforme recebida pelos profetas do Antigo Testamento.

  • Uma tradução contextual do verso é melhor compreendida colocando-o desta forma: “Não havendo revelação da Palavra de Deus (ou visão profética) o povo perece.”

A verdade resultante é que o líder servidor que lança a visão está tirando esse verso totalmente fora de seu contexto e aplicando de forma incorreta a Escritura Sagrada para forçar a descrição de um conceito que a Escritura não descreve de modo algum.

Bill Hybels, em seu livro Liderança Corajosa, incorre diversas vezes na mesma metodologia errônea. Um exemplo dessa má aplicação que ele faz da Palavra de Deus é a distorção das Escrituras em uma tentativa de ‘pegar carona’ nos ensinos de Jesus para uma lição sobre estratégia de igreja baseada em resultados:

“Jesus… disse, de acordo com minha tradução de Mateus 28:29-30: ‘Ok, pessoal, aqui está o objetivo: Vão por todo o mundo e preguem o evangelho. Levem todo homem, mulher e criança para a fé. Em seguida, façam com que eles cresçam ensinando-os a observar todas as coisas que mandei a vocês. Prontos. Preparar. Vão.’ E eles foram.” [tradução nossa]

“Parte da razão por que os discípulos de Jesus viraram o mundo de cabeça para baixo é que eles foram comissionados pelo maior líder de todos os tempos com o objetivo mais claro e mais interessante já definido: a redenção do mundo por meio do ministério da igreja.” (1)

Em primeiro lugar, a tradução de Hybels desse verso é uma total distorção do que a Bíblia relata dos eventos subseqüentes a essa ordem. Tivesse Jesus realmente dito: “Prontos. Preparar. Ir”, os discípulos esqueceram completamente esse mandamento. Porque Atos capítulo1 diz que imediatamente antes de Sua ascensão aos céus, os discípulos estavam prevendo o imediato estabelecimento do Reino Milenar. Além desse grande erro de compreensão, os discípulos não tinham o poder, a coragem ou o desejo de ‘ir por todo o mundo’ até que eles receberam o dom do Espírito Santo, conforme registrado em Atos 2.

Em segundo lugar, a ordem de ‘ir e ensinar todas as nações’ foi justamente isso — uma ordem — não um objetivo; nem era essa ordem parte do objetivo maior da redenção do mundo. Os discípulos foram instruídos para obedecer — não para ensinar um objetivo elevado. Jesus não definiu objetivos ou ‘lançou uma visão’ para Seus seguidores. Em vez disso, Ele exigiu obediência às Suas instruções.

Entretanto, existiram dois fatores específicos que realmente contribuíram para a expansão do cristianismo no primeiro século:

  • O compromisso dos discípulos com a obediência;
  • Mais importante, o poder do Espírito Santo, que trabalhou por meio dos discípulos e diretamente nos corações daqueles que ouviram o evangelho.

O cristianismo não se alastrou por todo o Império Romano por que os seres humanos adotaram uma estratégia orientada para resultados extremamente bem-sucedida de evangelismo. O cristianismo se alastrou pelo Império somente por que os discípulos foram obedientes ao Deus Encarnado e capacitados pelo Espírito Santo do próprio Deus. Essa obra do Espírito Santo foi simplesmente uma obra nos corações daqueles que foram convencidos pela pregação da Palavra de Deus.

O pastor Bill Hybles e os outros que têm obsessão pelas estratégias e treinamento em liderança esqueceram-se do fato que os discípulos, bem como os cristãos modernos, são chamados para a obediência à Palavra de Deus. Essa obediência então se manifesta neles como vasos idôneos para a operação do Espírito Santo de Deus por meio de cada um deles. A Grande Comissão não é uma questão de estratégias e realizações humanas — é o poder do Deus Todo-Poderoso revelado por meio de Seus seguidores. Ela não é o resultado das realizações humanas daqueles que se consideram líderes — é o resultado daqueles que estão dispostos a seguir os mandamentos de Jesus Cristo e por meio da “loucura da pregação” permitem a operação do Espírito Santo nos corações daqueles que ouvem as preciosas verdades da Palavra de Deus.

O pastor Bill Hybels certamente não possui o monopólio da aplicação incorreta das Escrituras. John Maxwell é outro importante ator nesse jogo. John Maxwell, que possui um Doutorado em Ministério, do Seminário Teológico Fuller, é o ex-pastor da Igreja Wesleyana Skyline, em San Diego, na Califórnia e se transformou em um ‘especialista em liderança’. Ele deixou o ministério para formar The Injoy Group — uma firma de consultoria para igrejas que se propõe a ajudar as igrejas a atingir seus plenos potenciais. Maxwell também preside o Instituto de Liderança Maxwell. Essa organização treina ‘líderes’ de todo o mundo em seminários sobre liderança e contrata personalidades famosas como o ocultista Mikhail Gorbachev e outras celebridades bem-conhecidas, mas teologicamente questionáveis.

John Maxwell escreveu muitos livros, mas sua Maxwell Leadership Bible (Bíblia Maxwell de Liderança) exibe múltiplos exemplos de uso incorreto da Palavra de Deus. Ela é uma tradução New King James das Escrituras, com comentários que se relacionam com ‘liderança’ de modo a treinar os “líderes cristãos”. O principal problema com essa obra é que a grande maioria dos comentários na Bíblia de Liderança é completamente estranha ao conteúdo da Palavra de Deus. Embora este manuscrito não seja a plataforma apropriada para um relato pormenorizado dos problemas com o comentário de Maxwell, citarei alguns exemplos aleatórios.

Primeiro, o Dr. Maxwell faz um mau uso da Palavra de Deus no livro de Ezequiel ao tentar promover o ‘lançamento da visão’ e a facilitação da visão para os seguidores:

Visão: Uma Revelação Sem Ação se Dissipa

“Deus disse a Ezequiel para empacotar seus pertences e simbolicamente retratar o exílio que aguardava os judeus usando meios criativos para comunicar a visão.

Em Ezequiel 12:21-28, Deus fala da ineficácia das visões a não ser que alguém dê suporte para elas. As visões perdem sua força sem ação para apoiá-las. Os líderes de Deus sempre compartilham a visão e os passos para sua implementação.

Entretanto, o primeiro passo sempre precisa ser pegar a visão de Deus. Considere um processo a seguir ao tentar pegar a visão de Deus para o povo:

  • Olhe para dentro de você: O que você sente?
  • Olhe para trás de você: O que você aprendeu?
  • Olhe ao seu redor: O que está acontecendo com os outros?
  • Olhe para a sua frente: Qual é o quadro grande?
  • Olhe para cima: O que Deus espera de você?
  • Olhe para os lados: Quais recursos estão à sua disposição?” [2]

O absurdo desse comentário não somente indica um uso incorreto da Palavra de Deus em uma tentativa de criar aplicações fora do contexto da Escritura mas também insere princípios de psicologia humanista e ciência do comportamento sob o disfarce de princípios bíblicos. Na verdade, é necessário que várias perguntas sejam feitas ao Dr. Maxwell com relação a esse comentário:

  • Onde exatamente Ezequiel diz que essa passagem é uma lição sobre o lançamento criativo da visão?

  • Em que ponto uma pessoa busca a visão de Deus nas páginas de Sua Palavra revelada, e por que isso não seria a primeira coisa que um indivíduo que está buscando a visão de Deus faria?

  • Se está buscando a visão de Deus, por que alguém olharia para dentro de si ou buscaria conhecimento humano? Essa não é a metodologia do ocultismo e das religiões orientais?

  • Quando alguém cai de joelhos com a face em terra diante de Deus e humildemente busca a vontade de Deus, isso é o mesmo que “olhar para cima”?

As respostas a essas questões revelam um grande problema com todo o processo de “treinamento em liderança”: Não somente esse processo NÃO ESTÁ baseado na Palavra de Deus, mas está baseado na ciência do comportamento humano. Se então ele não está baseado na Palavra de Deus, por que deveria ser usado na igreja? Melhor ainda, que lugar ele tem como comentário na Bíblia?

Um exemplo do Novo Testamento na Bíblia de Maxwell revela outro desses comentários:

Construção de Equipe: Jesus Montou uma Equipe Para Possuir uma Visão

“Pode-se argumentar que Jesus construiu a equipe mais importante já montada… Ele viu o potencial de Mateus para se tornar um apóstolo e um escritor. Jesus nunca se sentiu limitado pelas opiniões ou pela aprovação dos homens… Ele tratava os indivíduos com base em seus potenciais futuros, não no status presente.”

“Do mesmo modo, precisamos nos libertar das restrições que nos impedem de construir uma equipe equilibrada. Considere algumas questões que podemos aprender com Jesus:”

  • Quais qualidades positivas existem que poderiam ser vistas como comportamento negativo?

  • Os indivíduos mostram iniciativa mesmo se ela foi maldirecionada?
  • Essas pessoas acrescentariam química positiva e valor singular se colocadas em uma equipe?

  • Elas estão sedentas de se tornarem algo mais do que são agora?
  • Elas demonstram uma compaixão que poderia ser redirecionada?
  • Elas poderiam exercer um papel necessário na equipe?” (3)

Em primeiro lugar, Jesus não lidou e não lida com “potencial”. Jesus não viu potencial em Seus discípulos, pois conhecia o futuro — Ele estava plenamente ciente do futuro de Seus discípulos quanto está com o dos cristãos hoje — Ele não via apenas o presente, mas também o futuro. Ele sabia o que cada um deles faria e se tornaria no futuro, pois Jesus de Nazaré era (e é) o Deus encarnado. Portanto, usar Jesus como o padrão de liderança fazendo as seis perguntas do Dr. Maxwell listadas nesse comentário é completamente irrelevante ao seguir o exemplo definido por Jesus. Essas perguntas têm sua origem na ciência do comportamento humano — não no exemplo do Deus encarnado.

A ilustração final da Bíblia Maxwell de Liderança é um tema recorrente nos escritos de todo o grupo dos “construtores do reino” da Igreja do Novo Paradigma — a humanização de Jesus Cristo:

“Freqüentemente Jesus largava as responsabilidades do seu trabalho para se afastar e orar. Ele usava essa solidão para recuperar a perspectiva e mais uma vez conseguir ver o quadro grande…” [4]

Peço que o leitor desculpe a informalidade desta próxima frase, mas você deve estar brincando comigo! Por que homens como John Maxwell, Rick Warren, Bob Buford, Bill Hybels, Andy Stanley e os outros que estão brincando com o Jogo da Igreja do Novo Paradigma todos aparentemente sentem uma compulsão para trazer Jesus Cristo ao nível dos meros mortais? Por que eles não compreendem que Jesus não precisava encontrar um “local seguro” para “recuperar a perspectiva” ou “ver o quadro grande”? O Seminário Fuller não ensina que Jesus Cristo é Deus? Eles acham que seus alunos precisam de um salvador humanizado que precisa recorrer às técnicas da ciência do comportamento para não correr o risco de fracassar em sua missão? Além disso, por que esses indivíduos empregam os princípios de liderança das ciências do comportamento humano disfarçados como orientações da Palavra de Deus?

Em resposta a essas questões, as seguintes observações precisam ser feitas:

  • A Bíblia não ensina que os líderes cristãos devem lançar uma “visão” para seus seguidores e serem facilitadores em um processo orientado para resultados para alcançar a visão.

  • Na verdade a Bíblia tem muito pouco a dizer sobre liderança. Ela tem muito a dizer sobre seguir — seguir os mandamentos de Jesus, seguir os mandamentos das Escrituras e a direção do Espírito Santo.

  • Jesus não se envolveu em exercícios de construção de equipe, não lançou uma visão para o evangelismo mundial e absolutamente não fez auto-avaliações para garantir o alcance de Seu pleno potencial.

Portanto, que avaliação deve ser feita de tudo isto? Os cristãos precisam de discernimento, precisam avaliar tudo pelo padrão da Palavra de Deus e precisam depois questionar qualquer indivíduo que se afaste ou que faça um uso incorreto dos princípios bíblicos. Um exemplo desse tipo de questionamento foi apresentado por Bill Hybels em seu livro Liderança Corajosa. O pastor Hybels registrou (para a surpresa deste autor) uma pergunta dirigida a ele em um “seminário sobre liderança”:

“Bill, eu não acho que você deva misturar as melhores práticas de administração com as coisas espirituais… Sinto-me realmente desconfortável com todo este treinamento em liderança, desenvolvimento de liderança e gerenciamento para a obtenção de resultados que vejo na Igreja de Willowcreek. Acho que nas coisas de Deus, no reino espiritual, e na igreja, o que deve existir é um laissez-faire. Mão na massa. Sair e deixar Deus agir. Isto é o que eu penso.” [5] [tradução nossa]

A terminologia “laissez-faire” desse indivíduo não é como este autor chamaria a organização da igreja local, nem uma total concordância ser feita com sua abordagem “mãos na massa, sair e deixar Deus agir” quando a Palavra de Deus diz quais são os princípios e métodos que governam a igreja local. Entretanto, o questionador está totalmente justificado em seu desconforto com a avaliação do gerenciamento empresarial e treinamento em liderança realizados na Igreja da Comunidade de Willowcreek. A resposta do pastor Hybels deve ter deixado esse indivíduo em um desconforto ainda maior:

“O que você precisa compreender é que alguns de nós, líderes de igrejas, acreditamos no fundo do nosso ser que a igreja local é a esperança do mundo… Acreditamos que a igreja trata as mais profundas necessidades de todo ser humano. Acreditamos que a igreja pode levar as pessoas a um modo totalmente novo de viver, de amar e de servir e pode, portanto, transformar a sociedade… estamos tão determinados a definir claramente nossas visões… e apresentar estratégias vencedoras… É por isto que não temos vergonha de aprender e de aplicar os princípios das melhores práticas conforme Deus nos conduz em nossas igrejas…” [6] [tradução nossa]

Será se o pastor Hybels está dizendo que Deus o dirige na utilização da psicologia, do potencial humano, das ciências do comportamento humano e na descarada manipulação na condução de seu ministério? São essas estratégias superiores ao plano de Deus para a igreja conforme as instruções dadas no Novo Testamento? Obviamente, isso é exatamente o que ele está dizendo, mas para aonde essa estratégia levará a igreja?

Para determinar a direção que as estratégias de liderança estão realmente tomando, mais perguntas precisam ser consideradas a partir de um contexto bíblico:

  • Devem os mesmos princípios que se aplicam à liderança secular serem aplicados pelos líderes cristãos?

  • Não deveria qualquer visão dada por Deus vir diretamente das páginas da Palavra de Deus?

  • Deus dá alguma vez uma visão que contradiz as instruções em Sua Palavra?

  • Um plano humanista é melhor para a igreja do que a direção de Deus?
  • De modo a fazer um plano humanista melhor para a igreja, Jesus não precisaria ser humanizado?

  • Jesus na verdade chama cada cristão para ser um Líder Servidor — ou um servo seguidor?

Lidere Como Jesus

Quando o pastor Rick Warren, anunciou em 2005 que Ken Blanchard ingressaria na Equipe da Igreja de Saddleback para implementar a porção de liderança do Plano P.E.A.C.E, ele enfrentou um turbilhão de críticas. Aqueles que protestaram mais alto afirmavam que Blanchard era um “guru de Nova Era”. A evidência contra Blanchard era muito convincente e bem-documentada:

  • Ele escreveu o prefácio para o livro Mind Like Water (A Mente como Água), de Jim Ballard.
  • Escreveu o prefácio para What Would Buddha Do At Work (O Que Buda Faria no Trabalho?), de Franz Metcalf.
  • Seu endosso está na capa frontal de The Corporate Mystic.
  • Seu endosso está na quarta capa de As Sete Leis Espirituais do Sucesso, de Deepak Chopra.
  • Escreveu o prefácio para o livro da clarividente Ellen Tadd, Death and Letting Go. [7]

Essa lista é realmente bastante incriminadora, e indica que Blanchard no mínimo já endossou ensinos ocultistas e de Nova Era.

Entretanto, Rick Warren veio em defesa dele afirmando que a vida de Ken Blanchard tinha sido transformada por sua fé em Jesus Cristo, e ele fez muitas coisas antes de “cruzar a linha da fé” que não somente lamentava, mas também se arrependia delas. Portanto, apesar de uma desconfiança de tudo o que Rick Warren possa defender, este autor não tentará desacreditar Blanchard por causa de seus endossos e associações no passado. Em vez disso, este manuscrito tratará de forma bem rápida algumas das filosofias e afirmações do livro sobre “liderança cristã” de Ken Blanchard, que é a base da filosofia de liderança servidora, Lead Like Jesus. (Embora esta seção seja breve, os poucos segmentos discutidos aqui não deixarão dúvida sobre as questões sérias comunicadas pelo programa Lidere Como Jesus. Além desse livro, Ken Blanchard já treinou milhares de indivíduos em todo o mundo em seus seminários Lidere Como Jesus.)

Repetindo uma explicação anterior, ao tratar a obra de Blanchard, muito do seu material pode ser bastante proveitoso na área secular e seus conceitos também podem produzir uma louvável melhoria moral em muitas estruturas corporativas, tanto do baixo quanto do alto escalão. Entretanto, as principais preocupações são muito similares àquelas já discutidas:

  • Uso incorreto da Palavra de Deus
  • Humanização de Jesus Cristo por conceitos que atacam Sua divindade.
  • Aplicação indevida de princípios humanistas, seculares, ou ocultistas à igreja.

Quando Blanchard inicia seu livro Lead Like Jesus, ele faz alguns comentários pessoais na introdução:

  • Ele se identifica como um cientista do comportamento.
  • Ele afirma que Jesus empregou com perfeição todos os princípios da liderança eficaz que ele (Blanchard) ensinou nos últimos 35 anos.
  • Ele também estava fascinado em como Jesus transformou doze pessoas comuns e sem maiores talentos na “primeira geração de líderes de um movimento que continua a afetar o curso da história mundial.” [8]

Uma análise bem rápida dessa pequena introdução do livro revela a grande e obscura corrente subterrânea que permeia toda essa filosofia.

  • Ken Blanchard revela a perspectiva de sua tese — Ele é um cientista do comportamento. Isso significa que ele lida com o potencial humano, pensamento positivo, manipulação psicológica e os comportamentos gerais humanos, conforme observados dentro de uma estrutura psicológica. Portanto, a perspectiva dele não é bíblica, mas humanista.

  • Se Jesus “empregou com perfeição” os princípios que Blanchard ensinou por 35 anos, isso então significa que Jesus também adotou uma perspectiva humanista para liderar os apóstolos e os outros discípulos? Fazendo um parêntese, essa afirmação não nega a afirmação feita por Rick Warren que Blanchard é um homem transformado? Afinal, se Jesus empregou com perfeição tudo o que Blanchard ensinou durante 35 anos, isso incluiria (para escolher um nome de forma totalmente aleatória) as Sete Leis Espirituais do Sucesso, do ocultista Deepak Chopra e endossado por Blanchard?

  • Finalmente, tivesse Jesus recorrido à ciência do comportamento para transformar aquelas doze pessoas comuns e levá-las ao megaestrelato da liderança, onde exatamente isso deixa Sua divindade? Jesus não possuía a onipotência eterna do Deus Todo-Poderoso? Se esse foi o caso, por que Ele recorreria à manipulação humanista? Novamente, como acontece com os outros “construtores do reino” que têm obsessão por liderança, Ken Blanchard coloca o Deus Encarnado no nível humano de modo a fazer um melhor relacionamento com a atual cultura pós-moderna.

  • Para reforçar essa perspectiva, mais tarde no livro, Blanchard afirma que Jesus tinha os três apóstolos do círculo mais íntimo — Pedro, Tiago e João — “para poder se apoiar nos momentos cruciais”. [9] Vamos clarificar isto de uma vez por todas: Jesus não precisava se apoiar em ninguém. Novamente, independente do que esses homens possam ou não pensar, Jesus era (e é) o Deus Encarnado e o “círculo mais íntimo” de apóstolos era para o benefício deles — não para a estabilidade emocional de Jesus.

Blanchard ecoa Bill Hybels e John Maxwell ao discutir a transformação dos discípulos após três anos sob de liderança de Jesus. Outro exemplo da má aplicação das Escrituras é evidenciado quando Filipe ouve de Jesus imediatamente antes da crucificação: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” [10] Blanchard, como os outros, está ensinando a uma nova geração de evangélicos que as estratégias e procedimentos ensinados pelos profissionais da administração empresarial são superiores à operação do Espírito Santo nas vidas. É verdade que Filipe tornou-se um grande evangelista, mas como ilustrado aqui, sua experiência com Jesus sem a direção e sem que o Espírito Santo viesse habitar nele não o tinha equipado para realizar as tarefas que estavam para ser feitas.

Como um exemplo final, Blanchard recorre à especulação em uma tentativa de fazer Jesus se encaixar no molde da ciência do comportamento. Ele afirma que as experiências de Jesus na oficina na carpintaria “forneceu a Ele um modelo prático para fazer crescer e desenvolver as pessoas que Ele pôde usar para guiar a experiência de aprendizado de Seus discípulos do chamado à comissão.” [11] Blanchard detalha esse modelo como um estágio de aprendizado de quatro níveis: 1) Noviço; 2) Aprendiz; 3) Experiente e 4) Mestre.

Amigos, isto é pura bobagem especulativa. Em primeiro lugar, não existe evidência nas Escrituras de que Jesus trabalhou na oficina de carpintaria de José. Em segundo lugar, onde esse processo de quatro etapas de origina? Mesmo que Jesus tenha trabalhado na oficina de carpintaria, onde está a documentação que Ele percorreu esse caminho sistêmico? Por fim e mais importante, Jesus não precisava de um modelo prático para ensinar Seus discípulos. Jesus, como Deus, tinha todo o conhecimento, sabedoria e poder do universo à Sua disposição — a simples idéia de que Ele precisava de um modelo desenvolvido por algum mero mortal como um auxílio à aprendizagem não somente é absurdo, mas é também outra afronta à Sua divindade.

Portanto, se esse cenário de liderança é a filosofia que Ken Blanchard traz ao Plano P.E.A.C.E. de Rick Wareen para treinar milhões de cristãos nos Estados Unidos, em Ruanda, e em todo o mundo — o verdadeiro cristianismo que zela pelas Doutrinas Fundamentais da Fé precisa se preparar para a guerra mais enganosa que já teve de enfrentar. O Plano P.E.A.C.E. tentará atingir as necessidades físicas de milhões de indivíduos sem doutrina. Ele implementará o plano teosófico de Alice Bailey — “conhecimento sem doutrina”. Ele poderá se tornar o plano usado para cumprir a visão da Lucis Trust e da Boa Vontade Mundial — operar a boa vontade em todos os homens e produzir o Reino de Deus ocultista (não o bíblico) na Terra. De forma intencional ou não, os exércitos dos Líderes Servidores estarão marchando por todo o mundo para cumprir uma agenda globalista.

Liderança Transformacional e a Teoria Geral dos Sistemas

As questões que giram em torno dos princípios do Líder Servidor precisam ser exploradas em um nível mais profundo antes que se adote a filosofia que todos são líderes, como afirma o pastor Rick Warren. Essa exploração vai muito além da discussão anterior que envolve apenas a igreja local. Ela também precisa ser vista de uma perspectiva global baseada não somente na influência de longo alcance de homens como Rick Warren, John Maxwell, Bill Hybels e o fantasma de Peter Drucker, mas também outras ‘entidades mais tenebrosas’ que estão promovendo a mesma agenda. É muito significativo que essas ‘entidades mais tenebrosas’ estão não somente promovendo a mesma agenda, mas na verdade são os originadores desses mesmos conceitos.

Um estudo das agendas e objetivos das entidades organizacionais que incluem os socialistas fabianos do início do século passado, a Organização das Nações Unidas e organizações ocultistas como a Lucis Trust são muito reveladoras quando se considera e analisa os efeitos na sociedade se uma quantidade significativa de indivíduos começarem a se considerar “líderes servidores”. Além disso, se esses “líderes servidores” tentarem doutrinar aqueles sobre os quais exercem influência nos princípios baseados em resultados da Teoria Geral dos Sistemas, o impacto global poderá ser potencialmente chocante.

Como descrito pelos autores do tratado ocultista, Spiritual Politics (Política Espiritual), “pensamento de sistemas” da Teoria Geral dos Sistemas é um dogma-chave da assim-chamada Sabedoria de Todas as Épocas promovida por Helena Petrovna Blavatsky, Alice Bailey e a Lucis Trust. Spiritual Politics detalha as origens da Teoria Geral dos Sistemas como segue:

“… popularizada pelo biólogo Ludwig von Bertalanffy, que por sua vez foi inspirado por Nicolau de Cusa, um cardeal e místico que viveu no século 15… Ela significa ver relacionamentos em vez de somente cadeias lineares de causa e efeito e ver processos de transformação em vez de instantâneos de mudança, como observa o consultor de administração e autor Peter Senge …” [12]

Não é para se admirar que líderes empresariais norte-americanos nos anos 1940 rotularam a abordagem de sistemas de Peter Drucker em suas filosofias de Administração Por Objetivos como “misticismo alemão”. Como repetidamente observado neste manuscrito, Peter Drucker não é um estranho para os “construtores do reino”, como Rick Warren, Bill Hybels e Bob Buford, e tampouco Peter M. Senge, mencionado há pouco. O livro de Peter Senge, A Quinta Disciplina, é vendido no sítio de Rick Warren na Internet, www.pastors.com e pelo menos um artigo de Senge está publicado no mesmo sítio.

Ainda mais interessante, os autores de Spiritual Politics têm muito a dizer sobre o que eles chamam de “liderança transformacional”. Eles dizem que essa liderança transformacional é a base para a liderança daquilo que eles chamam de Nova Ordem Internacional. Observe o relacionamento desse princípio com o dos evangélicos que têm obsessão por liderança e treinamento em liderança:

“Onde há uma boa síntese de hierarquia e democracia [Nota do Autor: uma democracia social], os líderes aceitam somente o tanto de autoridade que as pessoas estão dispostas a lhes oferecer. O trabalho é feito inspirando as pessoas com a visão, ou propósito.” [ênfase adicionada; tradução nossa] [13]

Vamos ver… “visão” e “propósito”… Onde foi que ouvimos esses termos antes? Não, deve ser uma coincidência. Certo? Certamente evangélicos conservadores nunca adotariam as metodologias e terminologias daqueles que são adeptos das ciências ocultas e das “artes negras”… Ou adotariam? Quem são essas pessoas que estão por trás das fachadas caiadas? É isto ainda outra coincidência?

Spiritual Politics, escrito em 1994 é endossado na capa interna pelos bem-conhecidos ocultistas David Spangler e Willis Harman e o prefácio foi escrito pelo Dalai Lama. Esse livro é anunciado em sua capa como “o que há de mais avançado continuando a partir de onde a Conspiração Aquariana parou”. Os conceitos estão constantemente promovendo “um novo paradigma”, uma “nova ordem internacional”, e princípios comunitários. Adicionalmente e o que é mais importante para os propósitos desta discussão, esse livro descreve sua assim chamada “liderança transformacional” nos mesmos termos que Peter Senge, Bill Hybels, Andy Stanley, Bob Buford, John Maxwell e Rick Warren! Mera coincidência? Com as possíveis coincidências discutidas anteriormente neste manuscrito, quantas coincidências pode alguém tolerar antes que essa série de eventos evolua para alguma coisa mais próxima de conspiração do que coincidência? Quando então a pessoa introduz organizações como a Lucis Trust, os socialistas fabianos ou até as Nações Unidas na discussão — para aonde esse rastro de “coincidências” irá nos levar?

Quando se segue o rastro de coincidências, ele leva direto àquelas mesmas organizações e as agendas de todas elas incluem similaridades significativas:

  • Todas adotam a cosmovisão que envolve um sistema mundial de Governança Global e uma redução ou eliminação da soberania nacional.

  • Há um reconhecimento comum que o governo e as empresas não estarão equipados para suportar as exigências de qualquer democracia socialista, de modo que a carga precisa ser carregada pelos setores social e não-lucrativo.

  • Se o setor social ou não-lucrativo da sociedade precisar assumir essa carga, a principal parte dela precisará ser carregada não por uma força de mão de obra remunerada, mas ao contrário, por um exército de voluntários.

Considere ainda mais esses pontos à luz da nova “economia global” emergente, baseada na democracia social e nas realidades dos tempos atuais:

  • As exigências socialistas de uma maior intervenção do governo no setor privado continuarão a crescer.

  • As exigências de lucros rápidos para os acionistas no mundo empresarial exercem maior pressão por novas e maiores fontes de mão-de-obra barata.

  • À medida que a base industrial norte-americana migra para as regiões de mão-de-obra barata na Ásia, Europa Oriental e África para sustentar a pressão por aumentos exponenciais nos lucros das empresas para os acionistas, a menor base em impostos recolhidos para sustentar os serviços fornecidos por um governo mais socialista poderão levar ao total colapso econômico.

  • Assim, a inserção de trabalhadores destituídos de seus empregos em programas empresariais e governamentais como voluntários, vivendo com uma renda mínima para garantir sua subsistência efetivamente suporta a nova ordem, ou “comunidade”, criada pelos planejadores sociais orientados pela visão de sistemas (isto é, mão-de-obra virtualmente escrava).

A Era do Voluntariado

Antes que alguém comece a pensar que este autor perdeu a sanidade, considere o que disse Annie Besant, que foi diretora da ocultista Casa da Teosofia entre os mandatos de Helena P. Blavatsky e Alice Bailey:

“Isto, porém, dificilmente solucionará a questão geral quanto à alocação de trabalhadores para as várias formas de trabalho, mas uma solução foi encontrada… Deixando os rapazes e as mulheres livres para escolher seus empregos, isso equalizaria o índice de voluntariado, equalizando as atrações dos ofícios.” [14]

Em outras palavras, se trabalhar para ganhar a vida se tornar menos atraente por causa dos programas sociais, ou menos disponível por causa da mudança das indústrias para os países em que a mão-de-obra é mais barata, a atratividade de se tornar um voluntário (ou escravo) é grandemente aumentada. Para ser mais claro, o fato é que esse cenário foi planejado pelos globalistas ocultistas e “balões de ensaio” dessa filosofia estão flutuando desde os anos 1960. Uma pequena amostra desses balões de ensaio incluem:

  • O Corpo de Paz
  • As Parceiras Público-Privado das Nações Unidas
  • A Fundação Pontos de Luz
  • Americorps
  • Corpos da Liberdade dos EUA

Esses são apenas alguns poucos programas e iniciativas para promover o voluntariado. Se você usar um sistema de buscas na Internet e pesquisar a palavra “voluntariado”, aparecerão milhares de itens em seu navegador. Alguns desses programas são bem conhecidos e, como afirmado anteriormente, existem certamente aspectos louváveis em muitos desses programas. Entretanto, existem alguns aspectos do voluntariado patrocinado pelo governo que não podem deixar de causar pelo menos certa desconfiança.

  • O nome da Fundação Pontos de Luz conforme desenvolvido pelo presidente George Bush (pai) é derivado de uma citação do escritor, socialista fabiano e ocultista H. G. Wells, que disse: “… um estado mundial planejado está aparecendo em mil pontos de luz…” [15]

  • A ocultista Alice Bailey revela que os “Pontos de Luz” referem-se aos membros de um subgrupo da Lucis Trust — o Novo Grupo dos Servidores do Mundo e afirma que 1934 marcou o início da “organização dos homens e mulheres… trabalho de grupo de uma nova ordem… com o progresso definido pelo serviço… o mundo da Irmandade… as Forças da Luz… e a partir da expoliação de todas as culturas e civilizações existentes, a nova ordem mundial precisa ser construída.” [16]

  • O líder do Movimento Comunitário, Amitai Etzioni, foi um instrumento para a organização do Ameriicorps. Os comunitários acreditam que o voluntariado compulsório na comunidade é uma obrigação moral de todos os cidadãos — Essa crença foi compartilhada por H. G. Wells, Annie Besant, Alice Bailey e agora está sendo defendida pelo presidente norte-americano George W. Bush. [17]

  • O USA Freedom Corps do presidente Bush une Americorps e o Corpo da Paz com o Senior Corps em uma mastodôntica organização burocrática. O presidente Bush está pedindo que cada cidadão americano doe dois anos de sua vida para os serviços governamentais voluntários. [18]

Outros nomes que aparecem nessa discussão incluem Nelson Rockefeller, que declarou:

“… com o serviço voluntário… e nossa fé dedicada na irmandade de toda a humanidade… talvez mais cedo do que percebemos… evoluirá a base para uma estrutura federal do mundo livre.” [19]

A afirmação do Sr. Rockefeller resume todo o processo mental que está por trás do programa de voluntariado promovido (ou imposto) pelo governo. Se existisse essa tal “irmandade dos homens”, ou uma verdadeira “comunidade da humanidade”, esses conceitos teriam alguma credibilidade. Entretanto, a verdade da questão é que esses conceitos são uma mentira direta de Lúcifer. A humanidade é formada de dois segmentos distintos de indivíduos — os filhos de Deus e os filhos de Lúcifer. Esses dois grupos realmente compartilham o planeta, têm as mesmas necessidades físicas e precisam trabalhar em conjunto nas questões seculares. Entretanto, há um grande abismo espiritual que separa os dois e os cristãos precisam compreender que o conceito de uma irmandade dos homens sob a paternidade de Deus é falso.

Isso quer dizer que os cristãos devem fechar seus olhos e ouvidos para os problemas que a humanidade como um todo enfrenta? Certamente não e os cristãos estão instruídos a comunicarem a Palavra de Deus, preocupando-se com a condição espiritual de cada pessoa. Entretanto, participar de programas globalistas e apoiar as causas que estão tentando cumprir os objetivos da Nova Ordem Mundial é contrário às instruções das Escrituras para aqueles que são nascidos de novo.

Verdadeiro Ministério ou Voluntariado?

Por essa mesma razão é necessário questionar os “construtores do reino” da Igreja do Novo Paradigma quando eles se alinham com os engenheiros e planejadores de sistemas globais. O pastor Bill Hybels escreveu um livro sobre as magníficas virtudes e benefícios do voluntariado, mas uma pergunta séria precisa ser apresentada a ele e aos outros membros desse grupo de elite que tem obsessão por liderança:

Aqueles que participam em cargos não-remunerados do ministério são verdadeiramente voluntários?

Se alguém definisse um voluntário nos dias atuais como uma pessoa que recebe uma remuneração modesta ou nenhum pagamento tangível pelos serviços prestados, então a resposta a essa pergunta é um enfático não. A Bíblia é clara que Deus é um Deus de justiça; Ele não escraviza seus servos aqui na Terra; Ele os ama e abençoa até mesmo nesta vida. Além disso, a Bíblia diz que qualquer trabalho feito em nome de Jesus será recompensado — não somente aqui neste mundo, mas de forma abundante nos céus.

Portanto, os servos de Deus no ministério não são voluntários. A Bíblia diz: “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.” [1 Coríntios 2:9] Esse verso não está descrevendo voluntários não-remunerados. O ministério de Deus é o emprego mais bem pago que existe. Pode ser verdade que investimentos temporários e sacrificiais tenham de ser feitos por esse grupo e certamente os indivíduos chamados por Deus para o ministério não estão ali por causa do dinheiro. Entretanto, os galardões serão distribuídos e o Deus justo concederá abundantemente aos Seus filhos os lucros de uma vida justa que provarão por toda a eternidade que eles não foram voluntários não-remunerados.

Líderes do Novo Paradigma e Voluntários

Portanto, aonde isso tudo está levando e como tudo está correlacionado? Aqui está o coração da matéria:

Se todos são líderes e se todos precisam cumprir uma obrigação moral de voluntariado, os “construtores do reino” da Igreja do Novo Paradigma estão formando um exército de voluntários que recebem o treinamento manipulador em liderança dos cientistas do comportamento humano.

  • Como resultado desse treinamento, o exército de voluntários tem uma visão depreciada de Jesus Cristo, muita auto-estima e nenhum conceito do pecado e do verdadeiro arrependimento — e menos ainda de qualquer outra doutrina fundamental das Escrituras.

  • Além disso, esse exército está disposto a seguir cegamente os lançadores de visão no grupo que afirma estar buscando a visão de Deus. Entretanto, devido à ausência de pregação e ensino doutrinário, esse exército está agora pronto para aceitar qualquer falso ensino que seja apresentado como “visão de Deus”.

  • Essa ingenuidade diante dos falsos ensinos já está evidenciado pelo fato de “pensamento de sistemas” globalista tornar-se o mesmo que Igreja do Novo Paradigma. O exército de líder/voluntários está neste momento sob a influência de mestres que, na melhor das hipóteses, os estão educando nas terminologias e conceitos ocultistas em nome de cristianismo evangélico. Na pior… Isto será discutido no próximo e final capítulo deste livro.

Em conclusão e como foi dito neste manuscrito, o cristianismo baseado na Bíblia está na iminência de se tornar virtualmente não-existente. Os crentes deslocados que se separaram das igrejas do novo paradigma e estão buscando uma igreja solidamente fundamentada na Bíblia estão se tornando mais frustrados a cada dia que passa. As igrejas que antigamente mantinham a verdade da Palavra de Deus estão agora aderindo em massa ao fenômeno da Igreja com Propósitos, do lançamento da visão e do novo paradigma.

Mais preocupante ainda é a situação daqueles que estão seguindo cegamente os flautistas de Hamelin da Igreja do Novo Paradigma. São esses indivíduos realmente nascidos de novo, ou um evangelho aguado e a falta de pregação sobre doutrinas os levou a um falso senso de segurança? Estarão esses indivíduos entre aqueles que serão enganados pela ascensão do Anticristo, quando ele proclamar um governo messiânico sobre o “reino de Deus”? Apesar de suas melhores intenções, estão os “construtores do reino” da Igreja do Novo Paradigma, que pensam que estão treinando líderes servidores para dar partida ao reino de Deus na verdade recrutando e formando um exército de voluntários para reconstruir a Torre de Babel?

Share Button

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,


Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/admin/domains/palavradaverdade.net/public_html/site/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273